Curso de Administração Eclesiástica. Alguém já ouviu falar em uma coisa dessas? Talvez seja desinformação minha, entretanto fiquei sabendo disso por meio do produto jornalístico feito pela equipe em treinamento da Folha de S. Paulo. Muito bom o produto, apesar de eu não concordar com a forma como as pessoas entram nesse curso: uma prova que mais parece vestibular. Esse tipo de coisa nunca vai afirmar quem seria ou não apto para estar na redação da Folha, convivendo com grandes mentes do jornalismo. Afinal de contas, saber tudo que aconteceu na história do Brasil em detalhes não prova se a pessoa é competente ou não para fazer uma matéria básica. Como eu já disse anteriormente, eu posso afirmar isso por experiência própria, ainda bem que não porque eu sou assim, mas porque estou cercada desse tipo de pessoa.
Mas, enfim, voltando à reportagem em questão. Se alguém já teve a oportunidade de entrar em qualquer igreja evangélica, principalmente na IURD (apelido carinhoso para a Igreja Universal do Reino de Deus), deve saber muito bem o que seria o tal curso de “Administração Eclesiástica”. Em suma, seria um curso para o pastor aprender a arrancar dinheiro de pessoas que recebem, às vezes, menos de um salário mínimo. Muitas vezes o curso também ensina a fazer lavagem cerebral em pessoas desesperadas e forma um maravilhoso ator, neste caso o pastor.
O mais indignante é que por 450 reais, você recebe o curso na sua casa. E é visível que ele realmente funciona, já que igrejas como a Bola de Neve Church (só o nome já diz tudo) nunca iriam dominar o globo se não fosse por pura lavagem cerebral. “O bola” como dizem os freqüentadores, assim como as outras igrejas evangélicas, usam as doenças, as tristezas e as angústias de seus fiéis para arrecadar milhões e enriquecer seus fundadores, tudo em nome de Jesus (se Deus existe deve já ter se arrependido de criar o homem, já que ele não deixa nem seu filho em paz). Fico me perguntando para que Jesus usaria todo esse dinheiro. É o cúmulo se aproveitar da fé dos outros para ganho próprio.
Já vi pessoas que não tem o que comer em casa, mas que pagam com freqüência o dízimo da igreja. E não é doação de um real ou dois. No meio do “culto”, os pastores chegam a pedir várias vezes o dinheiro dos fiéis, que não deixam de contribuir porque acreditam que serão castigados ou que não serão agradecidos o suficiente pelas coisas que conseguiram em oração. Há quem contribui com mais de 20% do seu salário mínimo para que o pastor possa comprar a cobertura do prédio mais chique da cidade, sem brincadeira nenhuma.
E não posso esquecer de dizer também que o curso ensina como fazer aquelas cenas de possessão em frente às pessoas. Sim, ele ensina. E, segundo a reportagem, ver coisas sobrenaturais é a alegria dos fiéis, em sua maioria pobres. Por isso, é importante que o pastor seja, acima de tudo, um ótimo ator. Tudo para arrecadar dinheiro para o Senhor, óbvio.
Nessas horas que eu paro para pensar. Os meios de comunicação, que deveriam ser um meio de educação e conscientização para a população mais carente, não fazem nada para mostrar a verdadeira face dessas instituições. E quando o fazem, não é para desmascarar, mas para ganhar em cima disso. É como quando o papa vem ao Brasil. Por que os meios de comunicação fazem aquela loucura em volta de um ser humano igual a todos nós, que não representa porcaria nenhuma, mas apenas as idéias de uma elite totalmente ultrapassada?
Interesse. É essa a resposta. Não é a toa que a igreja católica vem lutando contra as igrejas evangélicas. E o meio mais fácil de lutar contra elas é se expondo cada vez mais na mídia, até pra divulgar, por exemplo, a implantação de mais pecados capitais. Coisa totalmente absurda. Porém a globo, principalmente, apóia a igreja católica porque ela compartilha dessa luta. A luta pela audiência que vem sendo tomada pela Record nos últimos tempos, que é administrada por evangélicos e que instiga seu rebanho de centenas de fiéis a assistirem sua programação. De fato, as igrejas universais vêm arrancando fiéis das igrejas católicas justamente porque esta continua se preocupando com coisas que não tem a ver com a realidade do nosso povão. O povão quer ser ouvido, quer um ombro amigo, e, infelizmente, consegue isso nas igrejas evangélicas. Claro que tudo é marketing, porém é marketing bem feito, vamos convir
Entretanto, se a mídia fizesse sua parte, promovendo o bom e velho jornalismo que nunca existiu, provavelmente as coisas seriam diferentes. E, talvez, em vez de divulgar ignorância, ela conseguisse transformar o Brasil em uma nação menos preocupada em enganar e mais preocupada em mudar, aprender e ensinar.
3 comentários:
olá. legal seu blog. agradeço pela visita aos instantâneos do samba. gostaria de saber quem é você, onde está, o que faz da vida, essas coisas, pra que não fique tudo muito impessoal.
um abraço
andré
É muito interessante toda essa questão monetário-religiosa (Pequenas Igrejas Grandes Negócios). E é divertido ver o desepero católico com as migrações religiosas do povão. Não obstante, também é triste ver todo esse aproveitamento da ignorância alheia. Adorei o Blog. É difícil ver blogs que tratem de coisas pertinentes.
Leito, obrigado pelo elogio. Pela falta de blogs assim é que resolvi fundar esse aqui.
Continue aparecendo, ok?
Abraços
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