Da carne ao pãozinho. Com a inflação, só não sobe o salário mínimo. E apesar de o presidente Lula sair falando por aí que está conseguindo conter o fenômeno, o consumidor só afirma o que sente no bolso: que o preço dos alimentos está alto e que a tendência é ficar ainda pior. Segundo o IPCA – 15, índice de inflação, os alimentos subiram mais de 8% no semestre.
Nos jornais (impressos, televisivos, radiofônicos etc.), depoimentos de pessoas nos supermercados ilustram a situação. É a dona de casa que teve que substituir a carne pelo frango, é o trabalhador que deixou de comprar o feijão para a família. Porém, ninguém precisa ler, assistir ou ouvir algo que sente na pele. Com a inflação, o descontentamento é geral e até comprar a cesta básica (básica mesmo, já que não garante nem 50% da alimentação saudável necessária para uma família de quatro pessoas) está um tormento.
A solução para o problema Lula deixou claro em seu programa de rádio “Café com o presidente”: aumento na produção de alimentos para garantir que os preços fiquem mais justos e que o Brasil possa exportar para os países que estão passando por essa mesma inflação. Simples, não? Mas como fica a oferta de alimentos no inverno, quando os agricultores do sul do país, principalmente, perdem toda a colheita com as geadas? Espero que o presidente tenha considerado os fatores climáticos. E, espero ainda, que ele considere que para se poder exportar alimentos é preciso que a oferta destes no mercado interno consiga dar conta da demanda, o que não acontece nesses tempos em que a inflação só tende a aumentar.
Além disso, a Fitch Ratings – agência de classificação de risco –, em nota, afirma que a desaceleração da economia norte-americana (já que o Banco Central norte-americano pretende aumentar as taxas de juros) diminuirá a demanda de exportação. Pra quem então o Brasil irá exportar alimentos, já que alguns países da America Latina, como Argentina e México, vêm aumentando suas taxas de exportação para garantir a oferta de alimentos no mercado interno pelos próprios produtores rurais destes países?
E, com o aumento das taxas de juros norte-americanas, não são só as exportações brasileiras que saem prejudicadas. A moeda brasileira tende a desvalorizar, já que o Banco Central tem cada vez mais receio de aumentar nossas taxas de juros, pressionado pela inflação (o que acaba o fazendo renunciar de suas próprias políticas monetárias). Assim, ou ocorre a desvalorização da moeda, ou o crescimento econômico do país pode sair prejudicado, caso o Banco Central opte por aumentar as taxas de juros brasileiros em resposta ao aumento norte-americano.
O Copom (Comitê de política monetária do Banco Central) já aumentou a taxa básica de juros de 11,75% para 12,25% ao ano e segundo os diretores do Banco Central, os juros continuarão sendo aumentados “enquanto for necessário”. Porém, ninguém quer arriscar para ver o resultado. E, com isso, continuamos na mesmo luta para garantir o “pão de cada dia”. Só nos resta observar os noticiários para descobrir se a inflação deslancha ou ameniza e assim selecionar os produtos que farão parte do cardápio do dia.
Escolher entre vários de alimentos com o preço lá em cima e poucos alimentos com preço baixo vai ser a maior batalha do consumidor. Afinal, da carne ao pãozinho, sobrou pouca coisa. O que é que o brasileiro vai consumir nesses dias de inflação crescente? Eis a questão.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
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2 comentários:
É realmente séria essa questão da inflação. Eu particularmente fico apreensivo com as decisões do nosso presidente, que nem sempre reflete o que parece ser mais sensato. Felizmente nessa semana houve uma desaceleração da inflação devido a algumas variáveis. Mas nada que alivie o peso sobre nós consumidores.
Olá. InstantÂneos do samba atualizados.
Dá uma passadinha ali.
www.instantesamba.blogspot.com.
abraços
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